Entre uns Drinks e Outros

“Vê um drink, por favor.” Foi o que eu pedi ao barman assim que sentei á bancada do bar mais estiloso da cidade. “Um cosmopolytan.” Escuto uma voz suave falar, olho para o lado, uma garota está sentada perto de mim, acho que deve ter uns vinte anos, mais que isso não. Passo a mão no cabelo, o bar está quente, e meu cabelo agarra atras do pescoço. Meu drink chega, e eu tomo tudo em um único gole. Bato o copo forte contra a bancada, e a moça ao lado olha para mim. Toma um pouco da sua bebida e eu acompanho a mesma descer por sua garganta. E de repente ela fala, me perguntando qual o motivo de eu estar aqui. Não sei o que responder e falo que estou aqui pelo mesmo motivo que todo mundo, para beber. Ela sorri e fala que a desculpa ”para beber” é o que todo mundo diz quando quer se esvaziar de algum problema, e vem para um bar. Ela toma outro gole. Sorri de novo e me pergunta se é para esquecer um amor, uma briga feia que tive com alguém ou problemas familiares. Bebo mais um drink e pergunto se ela é psicologa. Ela responde que na verdade, sim, é. E isso me surpreende pois eu não esperava essa resposta. Ela sorri, bebe mais um gole e fala que até os psicólogos tem problemas. E que o motivo de ela estar aqui é, na verdade, um desses problemas. Resolvo falar que eu também, mas não é nenhum dos motivos anteriores que ela falou, respondo que é o trabalho. Ela ergue as sobrancelhas, revira os olhos e fala que é claro, é obvio, esqueceu desse tema.

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Acaba falando que o problema dela é o amor. E isso me surpreende, mais uma vez. Amor? Pergunto. Ela parece surpresa e pergunta: porque não? Respondo que, de acordo com os meus cálculos, uma garota jovem, bonita, e que já exerce uma profissão, não imagino esse tipo de garota sofrendo por amor, e sim fazendo os outros sofrerem por amor. Peço um uísque duplo ao barman, ele me traz, e bebo com gosto, sentindo a queimação descer pela garganta. Ela da uma gargalhada. Diz que esse pensamento é patético, na verdade, pois ninguém é inseto de sofrer por amor, muito menos as garotas jovens de vinte e poucos anos. É claro que ela teria mais de vinte anos, penso comigo mesmo. Quero perguntar qual a idade dela, mas penso que isso não seria uma pergunta muito educada. Ela parece perceber e faz uma careta, respondendo que tem 28 anos. Isso me deixa boquiaberto. Ela sorri de novo, e responde que provavelmente eu devo ter pensando que ela tivesse 19 anos, pois é o que todo mundo sempre pensa. Respondo que dei 20 anos, na verdade.

Ela responde que tanto faz. Toma mais um gole e eu observo mais uma vez o líquido descer por sua garganta. Ela retira algo da bolsa, uma carteira, e deixa uma nota em cima da bancada. Ela já vai embora? Penso. Nem perguntei o nome dela. Ela se levanta, fechando a bolsa. Eu também levanto, e quando ela parece que vai dar um passo, seguro o braço dela com delicadeza. Pergunto qual o nome dela, ela sorri, solta o braço e deixa um cartão em cima da bancada, dá as costas e vai em direção a saída. Olha para traz uma última vez e vai. Peço outro drink e me sento novamente, pegando o cartão nas mãos. Está escrito: Consultório da Dra. Singer. Que suponho ser o sobrenome dela, mas ainda assim, não tem nenhum primeiro nome escrito, e eu continuo sem saber o nome dela. Mas no cartão tem um número de telefone. Tomo coragem, engulo todo o meu drink e resolvo ligar para o número do cartão. Ela atende no segundo toque, e responde: Mais já? Respondo que não conseguiria esperar para o dia seguinte. E é como se eu conseguisse adivinhar que ela abriu um sorriso do outro lado da linha.

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Post Novo!! E QUANDO NÃO SEI MAIS PARA ONDE IR?

Terráqueos, fiquei esse tempinho sem postar posts novos porque gente, estava me recuperando da prova do enem, que Senhor, é uma prova física e mental, vou te contar, viu! Quem já fez sabe o que estou falando. Haha, enfim, vem comigo que tem post novo! ❤

 

1317173034415_f_large-thumb-600x398-82075.jpgE QUANDO NÃO SEI MAIS PARA ONDE IR?

Qual caminho escolher? Qual estrada seguir? Aquela seta aponta para a direita! Mas eu não deveria seguir em frente? Ou melhor escolher a seta da esquerda? Mas, e se eu voltar só um pouquinho para traz e pegar um atalho que eu vi em um caminho por ai? Estou perdida! Não sei mais qual caminho escolher! Senhor, me dá uma luz! Sei que ficar parada não vai adiantar em nada, mas seguir apressadamente também não vai! Sentei-me no chão, olhei para o horizonte a minha frente, e me peguei sendo encarada pela imensidão azul do céu, as nuvens correndo para lá e para cá, cada qual seguindo seu caminho… desconfio que até elas sabem em qual direção seguir, pois tem o vento como guia. 

Faz meia hora que estou aqui pensando em qual caminho seguir, e qual eu enfim conseguirei achar meu norte… na verdade talvez tenha se passado apenas alguns minutos, tanto faz, pois para mim parecem horas… o azul do céu está ficando mais escuro, saindo do azul e entrando no cinza…  provavelmente irá chover.

Ainda carrego comigo o pensamento de que é melhor não se ter tanta pressa, pois o apressado sempre come cru, ou frio demais. Mas também não quero ser devagar demais, pois assim acabarei não comendo nada. Me levanto, bato as mãos no vestido para limpar a terra que ficou nele enquanto eu estava sentada. Uma leve poeira sobe e logo se cessa. Sinto pingos de chuva no rosto. Olho para cima, e percebo que está chuviscando, uma tempestade se aproxima, imagino. Observo uma nuvem apressada passar por cima de mim, e percebo que ela tem a forma de uma seta, e esta seta está apontando para as minhas costas… que estranho, deve ser coisa da minha imaginação, que é muito fértil, por sinal. 

Começa a chover mais forte agora, e as gotas de chuva me chicoteiam e me deixam ensopada. Isso é bom, aqui e agora, nesse momento, para lavar a minha mente, esfriar os pensamentos. Sinto o frio da chuva entrar pelos ossos, e subir até o cérebro como uma limpeza geral no sistema todo. Para varrer pra bem longe as velhas lembranças, os velhos resquícios de ‘plano’… para colocar uma nova ordem, uma nova organização, para me lembrar de que tudo tem sua hora e seu lugar, e o que for para ser, será, o que tiver de vir, virá.
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Encare o Que Te Faz Mal e Encontre o Bem Ali Escondido

Hoje eu acordei muito feliz. Assim como todos os outros dias. Fui na padaria comprar pão. Ah, é mesmo? Não me diga! E no caminho encontrei um colega que não via a muito tempo. Nós paramos na pracinha para bater um papo, e conversa vai conversa vem, ele começou a falar sobre a vida dele, a contar tudo, e eu pensei: espera ai, migo, nós acabamos de nos reencontrar! É como se estivéssemos nos conhecendo novamente, e você já vem descarregar em cima de mim toda a sua frustração de vida? Reconheço de longe quando alguém está nessa situação. Mas foi ai que eu lembrei de uma coisa: nós eramos muito amigos a um tempo atrás, na adolescência, explicando melhor, e eu era o tipo de amiga, e isso servia para qualquer pessoa, que quando chegavam em mim para conversar, já me achavam com cara de baú, de túmulo, boca de sapo, do tipo que poderiam me contar qualquer coisa que eu não iria espalhar para ninguém. E é verdade! Sou um baú mesmo. Mas aqueles amigos, eles se esqueciam que eu também queria falar, mas acho que eles pensavam que eu só servia para ouvir. Não é assim que a banda toca, não. Aliás, eles só vinham até mim quando estavam frustados, quando queriam alguém para despejar e desabafar todas as coisas da vida. Mas, quando era ao contrário, quando eu precisava de alguém para desabafar, BOMBA, o choque de realidade caiu como um véu para mim naquela época, de que eu não tinha ninguém! Ninguém para desabafar, nada, sempre que procurava aqueles pseudos ”amigos” eles diziam que estavam ocupados, ou, não posso agora porque estou indo pra uma festa, ou, não dá porque combinei de passar a noite com tal pessoa. E, caramba, isso era muito frustante! Hoje em dia é raro as vezes que lembro daqueles momentos, e quando lembro eles já não me machucam mais. Tem uma musica que eu costumo escutar que a letra diz assim: “com meus inimigos não me relaciono, não me emociono, por eles não sinto nada.” E essas lembranças que um dia me fizeram sofrer, hoje são para mim como a letra dessa musica. Mas hoje, uma quinta-feira, estou numa pracinha em frente á padaria, com alguém que não via a muito tempo, e só estou ouvindo, ouvindo, e isso é algo que hoje em dia eu não me importo mais, mas também não fico mais calada como antes, hoje eu também falo, e falo e falo. Ele terminou de falar e perguntou, sorrindo, se eu tinha prestado atenção ou se estava no mundo da lua?! Respondi que não prestei tanta atenção e que também não estava no mundo da lua. Ele ficou chocado com a sinceridade. Eu apenas sorri. Porque uma das coisas que eu aprendi somente com o ouvir, foi que ser sincera é melhor do que dizer palavras enganadoras para outra pessoa. E ai soltei o verbo, e quando eu solto o verbo não consigo mais parar de falar, simplesmente parece que a minha língua se desenrolou de tanto tempo atrás só viver enrolada. Comecei a falar sobre aquela época do ‘apenas ouço porque não me deixam falar’. Ele assentiu e entendeu, e disse que passou pela mesma experiência que eu tinha passado, só que do outro lado da moeda. Nós sorrimos e ele estendeu o braço, coloquei o meu braço no dele e decidimos que íamos tomar um café juntos na padaria. Ele pediu até perdão, se em algum tempo ou circunstância ele já tivesse me deixado, em relação a nossa amizade, falou que ele sentiu falta da nossa amizade quando sai da cidade em que moramos, me contou sobre quando decidiu mudar de cidade e mudar de vida, falou também que existem muitos adolescentes que são meio inconvenientes e cabeças de papel. E que ele foi um desses. E eu contei um segredo a ele. Que só falar nem sempre é bom, que as vezes só escutar faz você ter um hábito de passar a observar mais de tudo um pouco ao seu redor, de saber das coisas. Me levantei e disse que tinha uma reunião e que estava atrasada. Ele perguntou reunião de que? E eu respondi: Sou psicologa/psiquiatra. Se precisar de ajuda só telefonar, e entreguei meu cartão de contato para ele. De passar tanto tempo ouvindo as outras pessoas, fiz disso a minha profissão. E diga-se de passagem, sei reconhecer bem quando alguém precisa de ajuda. Hoje em dia eu geralmente conto essa história aos meus pacientes, e eles perguntam: Mais era algo que você não gostava e hoje em dia é a sua fonte de renda?! Sempre respondo: Pegue aquilo que lhe faz mal, e transforme no seu bem. As vezes uma coisa que acontece de ‘ruim’ em algum momento da sua vida, e que você sabe que será passageiro, serve para que você perceba o bem escondido por trás daquilo. Eu percebi que amo ajudar as pessoas, ouvir meus pacientes e ajuda-los. Mais naquela época era algo que eu não sabia aproveitar direito, meu dom estava disfarçado e eu tive que despi-lo, encara-lo, enfrenta-lo para me livrar do que me fazia mal e ficar só com a parte boa.

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Do Ponto de Vista Dela

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Eu sempre soube o que queria fazer da vida, o que pretendia estudar. Desde a época de escola. Sempre fui muito decidida. Acho que herdei isso da minha mãe. Ela também sempre foi decidida do que queria. Na minha cabeça eu sempre quis ser professora do ensino fundamental, trabalhar com crianças. Meu pai sempre me diz que esse é o tipo de trabalho feito pra mim, devido a minha enorme paciência. Eu nunca sai da minha cidade, sempre tive uma ideia muito formada de que, aqui é o meu lugar. Não sou igual a algumas amigas minhas que ficaram meio perdidas no caminho sobre o que se esperar da vida. Elas sempre falam que graças a Deus de eu existir, elas dizem que eu as ajudei a achar o caminho delas. E nossa, eu fico muito grata e feliz por isso. Por que esse é o trabalho que eu quero fazer, eu quero orientar meus alunos, sabe. Eu nunca liguei muito para a minha vida monótona. Mas vez ou outra, eu me pego pensando, e se eu me aventurasse um pouquinho na vida, do tipo: Eu sempre quis viajar e conhecer algum outro lugar diferente. Minha mãe me incentiva sempre, meu pai nem tanto. Ele é daqueles super protetor, mas ainda assim, se fosse uma coisa que eu quisesse muito, ele me apoiaria. Mas o negócio é que eu nunca parei pra pensar realmente sobre esse assunto, isso era só uma vontade dentro de mim, que eu resolvi deixar desligada. Minhas amigas sempre falam que ninguém merece viver só na mesma cidade sempre, por toda a eternidade sem nem ao menos conhecer um pouquinho do mundo lá fora. E eu quero isso, mas não agora, por que agora eu quero me dedicar a minha formação. Mas eu também não quero ser uma garota sem sal nem tempero e sem histórias pra contar da vida quando eu tiver meus filhos e netos. E foi ai que um certo garoto entrou na minha vida. Ele viajava de cidade em cidade com o amigo dele em um carro zoado. E ele me contou que é o oposto de mim. Que nunca conseguiu se achar na vida, que nunca soube o que queria ser ou fazer dela. Que ia a festas, bebia, aproveitava o ‘pseudo’ melhor da vida, mas que achava que todo mundo precisa se encontrar em algo nesse mundão de meu Deus. Que sempre que encontrava alguém com quem estudou na escola, eles já estavam formados, ou formando família, e para ele essa realidade estava absurdamente longe. Essa história, quando ele tava me contando, chegou até formigar a minha mão, coça a minha cabeça, por que eu já falei: não posso vê alguém desorientado, que eu quero ajudar essa pessoa, sabe. E foi isso que eu fiz, ou pelo menos tentei fazer. Por que ele, o amigo e o carro zoado deles, ficou mais de seis meses sem cair na estrada. A gente se conheceu melhor e de burra que eu sou, adivinhem só? Isso mesmo: me apaixonei pelo garoto, sem rumo, que ama cair na estrada, totalmente o contrário de mim. Cair na ladainha de que ele também estava apaixonado por mim. E depois ele foi embora, deu a desculpa de que tinha medo de se entregar, e caiu fora na estrada. O amigo gostou daqui, tentou convencer mas ele é cabeça dura. Um milagre até tinha acontecido, do meu pai gostar dele. -suspiro- Eu fiquei mal, na bad mesmo, realmente pensei que tinha conseguido ajudar ele. Mas, uma semana depois, esse mesmo garoto estava de volta, batendo na minha porta. Disse que tinha percebido de que ele tinha se encontrado e que não podia perder isso de jeito nenhum. Que eu tinha ajudado ele. Que do ponto de vista que eu tinha mostrado a ele, dava pra ser feliz com os problemas da vida também, por que tudo é apenas uma questão de perspectiva. E sabe o que eu aprendi do ponto de vista dele? Aquilo que minhas amigas sempre falavam pra mim, que ter pelo que viver é bom, mas também ter pelo que se aventurar é melhor ainda. E ele me mostrou isso. E foi aquela velha história dos opostos se atraindo. Por que é sempre das duas uma: ou você se atrai positivamente pela pessoa ou negativamente. As vezes tem um meio termo, mas isso é raro. Ele resolveu que iria ficar na cidade, que iria se enraizar aqui. Mas também me convenceu, que uma vez tudo no seu lugar, eu iria ter que me jogar com ele mundo a fora, pra futuramente, ter o que contar aos nossos netos. Aprendi isso do ponto de vista dele.

—Fransiely Karla

Do Ponto de Vista Dele

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Eu sou aquele tipo de pessoa que na escola nunca se dava bem em nada. Sou o tipo de pessoa que hoje em dia vê os colegas de turma ou se formando ou se casando e formando família. Das duas uma. Ou as duas. Eu sou o tipo de pessoa que nunca soube bem o queria fazer ou ser da vida. O tipo que nunca esperava nada dela. O tipo que a sorte nunca estava a favor, mas tudo bem. Eu nunca acreditei nesse lance de sorte mesmo. No que eu acredito é que você vai atras do que deseja e com um pouquinho de esforço consegue o que se quer. O problema é que eu podia desejar o que fosse, podia me esforçar o tanto que fosse. Nada nunca deu certo. Então já que não existe sorte pra mim, provavelmente deve existir o azar! Minha vida é um tornado. Por que vou te contar, não tá fácil! Eu sei, eu sei que não tá fácil pra ninguém. Mais pra mim especialmente não tá dando! Ontem eu fui na padaria aqui do bairro, e encontrei uma antiga colega de classe. Ela não era a das mais inteligentes da turma, mas cara, até ela conseguiu achar algo na vida. E eu? Nada! E isso é um saco! Por que eu simplesmente fico vivendo sem focar em nada, sabe? Eu saio para festas, curto até onde der, volto pra casa, escuto as reclamações dos meus pais, não digo nada apenas escuto. Pois sei que eles estão certos. As coisas que eu sempre gostei são muito peculiares. Quando me perguntam o que eu faço da vida quando encontro um antigo colega de escola, eu simplesmente sorrio e não digo nada, por que não tem nada a dizer, sabe? Eu simplesmente sou um nada, cara. Só continuo vivendo tudo o que há pra viver nessa vida, mas ainda assim, a gente precisa se encontrar em algo, em alguma coisa. E cara, a única coisa que eu encontrei e pode ter certeza que eu me agarrei a essa coisa como uma tábua de salvação,  por que eu precisava sair da casa dos meus pais, sabe. Um amigo me convidou pra viajar. Mas não apenas viajar, e sim literalmente sair viajando e conhecendo os lugares ao redor do mundo, de carro, e claro que de cara eu aceitei. A) Precisava dar uma folga aos meus pais. B) Eu não tenho nada na vida mesmo, por que não arriscar? C) Talvez em uma dessas viagens em algum lugar desses por onde eu passar eu encontre algo pra mim. Não tenho nada a perder. Os velhos reclamaram, me deram mais uma lição, mas sabiam que não podiam me impedir. Minha mãe chorou, meu pai é durão mais eu sei que ele estava se segurando. Me abençoaram e me deixaram voar. Eu ia sentir saudades de casa, saudades dos meus pais, saudades do bairro. Mas não dava mais para viver daquele jeito. Precisava encontrar algo pra mim. Ainda acreditava que nessa vida existiria algo esperando por mim, sabe. 

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Eu e meu amigo, com pouco dinheiro no bolso, saudades de casa e um carro consideravelmente bom, partimos. Visitamos até agora 35 lugares, e o último é o mais especial. Cara, eu me encontrei, tinha que ser assim sabe. Hoje em dia eu sei. Nós resolvemos que iriamos ficar por aqui, o aqui é uma cidadezinha em Carolina do Norte – Southport. Uma cidade linda, cara, pequena, calma, e.. Eu achei ela. Não só a cidade, achei ela. Me apaixonei de cara. Fiquei por aqui durante um tempo, tempo bastante pra conhece-la bem, mas depois parti rumo a outro cidade, mas o coração não aguentou, voltei pra trás. Estou aqui há dois anos. Moro com meu amigo numa casa que alugamos, e estou noivo dela. Ela me ajudou a superar e me achar dentro de mim mesmo. Ela toda certinha e organizada, eu todo errado sem chance na vida. Mas ela não desistiu de mim e isso fez com que eu pensasse que: se alguém acredita em mim, por que eu mesmo não devo acreditar? Meus pais ligam toda semana, e pretendem vir nos visitar. Durante mais de um ano na estrada com meu amigo, e nosso carro zoado. Percebi que a vida, ela é aquilo que a gente faz dela, é aquilo que a gente corre atras pra que aconteça. Não sou nenhum advogado, ou médico, ou já formei família como a maioria dos meus colegas de classe. Mas posso dizer que eu me encontrei, eu me achei. Vou abrir um comercio aqui com meu brother, um tipo de restaurante para turistas. Serei um empreendedor. A vida sorrio pra mim. Posso dizer que a minha vida daria um filme de comédia… romântica, talvez. Eu me encontrei, e só precisei de um pouco de coragem pra enfrentar o medo que só estava na minha própria cabeça. Você ai, que talvez já foi ou é como eu fui. Enfrenta o medo, enfrenta pra poder seguir em frente! Aprendi isso do ponto de vista dela.

—Fransiely Karla

 

Não Se Deixe Ficar Preso No Casulo

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Me diz, só me fala como uma pessoa consegue progredir em um mês para logo em seguida regredir como se fosse um ano? Não, eu não entendo. Não entendo mesmo. Por que, estava tudo bem, sabe? Tudo ok! Tudo ia bem, meio devagar, talvez. Mas ela estava chegando lá. Ela estava… Ela iria chegar lá. Se tivesse mais persistência, só um mais um pouco. Se tivesse deixado os medos medíocres de lado, tivesse tirado o comodismo de dias exatamente iguais e tivesse se aventurado mais. Eu avisei, eu aconselhei. Falei que se ela fizesse um exame de consciência se lembraria de que já passou por isso uma vez. Foda-se. Ela superou. Viu que esse tipo de vida não é viver, nem sobreviver é só… existir. E só existir não basta. Só existir sem realmente viver a vida, não é aproveitar ela de verdade. E por que ela continua insistindo nesse tipo de vida? O que é que ela tem? Medo de viver? Não, por que eu sei que ela ama se aventurar. Então o que? É anti-social? Um pouco, talvez, mas todo mundo é, por que todo mundo precisa de um pouco de solidão na vida para aprender a ficar só as vezes, com a própria companhia. Mas a solidão 24 horas, enfurnada em um quarto? O que ela está pensando? Que está vivendo em mundo do tipo The Walking Dead? Cara, você tá vegetando? Sabe, tantas pessoas dariam quase tudo para ter a saúde que você tem! Não estou dizendo que você está reclamando, antes fosse isso. Por que você não está falando nada, está deixando que isso aconteça com você. Droga, não vou deixar que isso aconteça com você. Eu irei te resgatar, como da primeira vez. Abre esses olhos verdes, e vê se percebe que isso, não te leva a nada. Só te afunda. Você tem que ser como uma ancora para si próprio, só não pode deixar-se afundar. Nunca se deixe afundar. Você pode sair dessa lama. Você pode sair dessa foça. Cai na real! Quem você quer enganar? A sua família? Amigos? Ou você mesma? Por que eu digo que são os três, mas especialmente o terceiro, não é? Ele cuspiu essas palavras pra ela. … Sorry por essas palavras um pouco duras. Mas elas são as que mais precisavam serem ditas. As vezes as palavras duras precisam ser faladas com toda a força. Não me leve a mal. Eu só quero tirar você desse casulo. Casulo esse que você diz que é seu escudo que te protege do mundo. Mas não, honey, esse casulo é o que te esconde do mundo. É o que te esconde de viver. Não se esconda, dear. Não pare de acreditar. Tenha fé. Believe. Acredite. Só acredite, please? Por favor, não deixe de acreditar. 

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Ela escutou aquelas palavras duras. Algumas lágrimas escorreram dos seus olhos, ela assoou o nariz, passou a mão nos olhos e borrou a maquiagem, pegou o copo de vidro, que ela estava tomando um drink e o jogou na parede com toda a força. Saia daqui. Ela gritou. Não preciso de ajuda. Ao mesmo tempo que gritava help me por dentro. Lembrou-se de uma vez que escutou alguém falar que, quem pede ajuda é fraco, e que se mostrar que é fraco é feio. Ela não conseguia acreditar que tinha deixado aquilo acontecer com ela outra vez. Ela já tinha passado por isso uma vez. Experiência que nunca esqueceria, por que servia de exemplo para que nunca mais cometesse de cair naquele falso conto novamente. Mas ela deixou-se levar, e caiu no falso conto outra vez. A história da bela adormecida com uma mistura de rapunzel. Ela não sabia mais por que tinha criado aquele casulo. Já tinha esquecido a um bom tempo o por que de ter criado aquele falso escudo protetor ao redor de si. Porque ele não servia para mais nada. Ela caiu no chão e disse: “Ajude-me”. Ela precisava sair daquele casulo invisível do medo, da angustia, da frustração, de todas essas coisas negativas. Ela escutou a voz que disse que a ajudaria. Escutou quando falou que ela precisava ter fé. Acreditar. Ela deitou no chão frio e tudo ficou um borrão depois disso. Acordou assustada, com a respiração acelerada, o coração disparado, a cabeça doía. Olhou ao redor e estava no quarto, e alguém segurava a sua mão, dizendo: “Tudo vai ficar bem. Você está saindo do casulo, só tenha mais um pouco de fé.” Ela assentiu.

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Algum tempo depois, as lembranças e experiências vividas no passado a fez passar a aconselhar as pessoas sobre essa coisa de se exilar da vida. De que não vale a pena criar uma bolha ou um casulo em torno de si. E que é sempre bom ter um amigo verdadeiro ao seu lado para te ajudar a espetar a bolha e desmanchar o casulo. E te lembrar que você precisa ser a sua própria ancora, mas, só não pode se deixar afunda. Nunca se deixe afundar. Jamais se deixe afundar. O casulo e a bolha nada mais são do que o medo de viver. Hoje em dia ela fala para as pessoas: “Não apenas existam, mais sim vivam.” Lembre-se de que não é feio pedir ajudar. As vezes pedir ajuda é o que pode te salvar. E que você não é fraco por isso, ao contrário, quem é ajudado ou ajuda alguém, é mais forte do que demostra ser. Só apenas acredite, ok? E tenha fé.

—Fransiely Karla

A Vida Sorrio Pra Gente

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Nós eramos diferentes, sim, mas eram aquelas diferenças que completavam o nosso trio. Ninguém segurava a gente. Três garotas, loucas, que só queriam curtir a vida. Que só querem curtir a vida. Os vizinhos fofoqueiros diziam “vocês são três adolescentes inconsequentes e quando crescerem viverão de que? Se o que dizem é só querer viver a vida.” Hoje em dia somos três mulheres, adultas, e continuamos a querer viver a vida. Continuamos indo para as baladas, festas, só que agora com mais juízo na cachola. Nós dizíamos que íamos viajar o mundo, bem, estamos quase la. Somos adultas que sabem viver, que driblam os problemas, que não desistem dos sonhos. Uma já tem filho, a outra ainda faz faculdade, e eu já me formei em uma: a faculdade da vida. Qual tem mais ensinamentos que essa? Já viajamos para vários lugares, a Tris com seu filhinho ao lado, mas nunca deixamos de curtir a vida. Passamos por momentos de dificuldades sim, mas cara, o nosso trio, formado desde a infância, nunca se separou. Claro, já chegou gente querendo entrar no nosso trio, já teve gente com inveja da nossa amizade. Já tentaram causar discórdia entre nos três. Já teve namorados que por pouco não acabou com a nossa união. Mas a gente sabe que se uma amizade vale mais, imagina três? Nos já pulamos de penhascos, voamos de asa delta, saltamos de paraquedas, apostamos corridas de skate, surfamos, dançamos, pulamos, gritamos, viajamos.. A gente não pode negar que conseguimos curtir uma parte da nossa vida. Mas aquela outra parte, a parte que ainda virá, essa parte que já chegou. A parte em que estaremos com 60 anos, sentadas na beira da praia, com nossos filhos ou netos ao redor, sorrindo uma pra outra, lembrando e contado as varias histórias loucas e inconsequentes que passamos juntas, de mãos dadas, ensinando para eles que mais vale uma amizade na mão do que um amor voando.

-Você é louca, becca, nadou com tubarões!

-Foi o melhor dia daquela viajem que fizemos!

-Foi o dia em que conhecemos esses nossos maridos loucos. O dia que conhecemos três garotos sem medo de viver a vida. Com sonhos iguais ao nosso. Lembram-se que olhamos uma para outra e dissemos. “Parece que a vida sorrio pra gente.” Na verdade, ela sempre sorri pra gente, porque nós sempre sorrimos de volta.

Fransiely Karla.

 

O Sujeito Nunca é Ele

 

Sabe doutor, ando com medo de andar nas ruas. O que? Ah, sim, doutor! Medo de andar nas ruas e ser assaltada, medo de levarem o pouco que tenho depois de um mês suando, juntando meu salario, que não é muito, pra comprar aquele celular que eu tanto queria. Para vim alguém que acha mais fácil roubar do trabalhador do que ele próprio ir a luta. Alguém que prefere dar o exemplo errado pro seu filho. Sabe doutor, vou confessar aqui pro senhor que meu coração palpita toda vez que passo por uma rua deserta, toda vez que alguém assobia pra mim e faz uma gracinha como “e ai gostosa” medo de acabar sendo levada para algum beco qualquer e acabar sofrendo um trauma pra levar pro resto da vida. Sabe, doutor, esse medo não é só meu, é de toda mulher, de todo cidadão decente e trabalhador que vive nesse país de terras sem leis. Sabe porque eu procurei o senhor, doutor? Pra desabafar e esvaziar a minha mente sobre tudo isso que está acontecendo, e que as ‘autoridades’ que realmente deveriam fazer alguma coisa, ou querem fazer algo pra mudar isso mas não podem ou que podem mudar esses fatos mas não querem mudar. Sabe doutor, eu, minha irmã, e a maioria dos brasileiros, nós estamos cansados. Cansados de que? De observar o rumo que a hipocrisia e corrupção está levando nosso país. Nosso país que é rico em cultura boa, mas a cultura que está sendo ‘exaltada’ sabe qual é? A cultura do estupro! A cultura do machismo de que a culpa é da vitima. Pois é, doutor, concordo com o senhor, que a culpa nunca é da vitima. E algumas das vezes a culpa não é nem de quem fez  o ocorrido com a vitima. No geral, a culpa é da educação que o ‘criminoso’ não teve quando criança. Do pai e da mãe dizendo “Prendam suas ovelhas que o meu lobo está solto” Mais que raio de frase é essa? Essa frase se encaixa muito bem nos dias de hoje. Mas sabe, doutor, não tem isso de prender ovelha porque o lobo ta solto. O negocio é prender o lobo! O negocio é educar o lobo enquanto ele ainda é um lobinho! O negocio é ensinar desde criança que não pode atacar a ovelha. Que os dois tem direitos iguais. Que os dois podem andar nas ruas vestidos com a roupa que escolherem. Doutor, o senhor já ouviu essa história: “Ele usa roupas provocantes, ele tem 16 anos e é pai solteiro. Ele vai a bailes funks pra se divertir. Ele sai tarde da noite do baile e é arrastado pra um beco qualquer. Ele vai levar esse trauma pro resto da sua vida.” Eu também já escutei essa história varias vezes, doutor, mas como o senhor disse, o sujeito nunca é ‘ele’.

—Fransiely Karla.

Primeira E Última Carta De Desamor

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Depois do que eu fiz.. Depois do que eu fiz você passar.. Do que fiz a gente passar..  Eu me arrependo muito hoje em dia. Sabe, sei que você está feliz, e quero e espero vê a sua felicidade. Mas algo me diz que você sempre estará no meu coração, assim como eu espero está no seu. Sei que não mereço. Depois de tudo o que aconteceu. Lembra que eu fui até você, mais você não queria me vê? Mas eu sabia que, e tive a certeza quando você veio me procurar, para escutar o que eu tinha pra falar, que você ainda sentia, assim como eu. Eu te pedi perdão, demorou um tempo, mas você me perdoou, e quando nos abraçamos outra vez… Seu abraço é o que mais me fazia falta. Aquele abraço era melhor do que mil beijos. Eu joguei tudo fora. Me deixei levar pelo desejo de sempre preferir criar asas ao invés de raízes, eu tive que destroçar o seu coração mil vezes, acabei nosso namoro, pra poder ser livre, era o que eu dizia para mim, pra tentar justificar o meu erro, aquele que eu sabia que não valia a pena. E no fim não valeu mesmo. Só depois de um tempo eu percebi que o meu coração era seu, sabe, é seu, sempre foi seu pra você fazer o que quiser com ele. E hoje você faz. Mas eu não te culpo por isso, fui eu quem destroçou o seu primeiro, o meu também, o nosso. É tudo culpa minha, sei disso. Não adianta nada lamentar hoje em dia. Meu Deus, faz tempo! E meu coração ainda dói.. O seu não..? Eu acho que não, penso que você nem se lembra mais de mim. Que bom. Pra você, pra mim não. Sei que depois daquele abraço havia chance pra nós.. Mas eu fiquei em dúvida, vacilei, e deixei que nosso amor escorresse por entre os meus dedos, nossos dedos, eu sabia que você não iria fazer nada, apesar de querer. Era a minha vez de ir atrás e lutar por nós, mas fui fraca. E com lágrimas nos olhos eu estou escrevendo essa carta, daqui algumas horas estou indo embora da cidade, você sabe, eu mesma contei. E acho que não está dando a minima, e eu sei que mereço. Mas é só você pedir para que eu fique que eu não vou.. Mais sei que não posso viver me iludindo, pois sei que você não pedirá para que eu fique. Provavelmente já deve está namorando ou apaixonado por outra pessoa, mas sei que fui seu primeiro amor, é o que imagino. Se não, sei que não mereço, mesmo. Sabe, preciso me libertar dessa dor que ainda arde aqui dentro, preciso me livrar dessa culpa que carrego, preciso me esvaziar, e a melhor forma de fazer isso, é fazendo o que eu mais gosto: escrever. Estou escrevendo essa carta para você, pra colocar nela todas as palavras não ditas que ficaram presas na minha garganta, todo o sentimento que já não é mais recíproco, todas as lembranças boas e as ruins, todas as memórias, tudo que eu não preciso mais lembrar, sei que errei, mais isto está me fazendo mal. E não posso guardar um sentimento que só me fere, se já sei que você me esqueceu.

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Eu ainda amava você, mas quando o amor só vem de um lado não vale a pena ficar dando murro em ponta de faca. Essa é a minha carta de desamor, espero, espero não, tenho certeza de que quando terminar de escrever, esse sentimento terá que ser abafado, diminuído, até virar poeira e sumir. Você foi o garoto mais doce, amoroso, que já conheci, naquela época eu não era tão madura e você também não, tente entender. E… Não, tenho que parar de me iludir, sei que você não guardará nem lembrança do meu rosto nas suas memórias, devo fazer o mesmo, devo me perdoar e aprender que o erro que cometi serve para que eu não o cometa mais! Essa carta, esse sentimento, essas lágrimas, tudo, irá sumir. Estou desapegando de você, o garoto de quem eu destruir o coração, e o meu próprio, já desapegou de mim, tenho que esquece-lo também. E quando vê você pela última vez para dizer adeus, sei que não sentirei mais nada.. Tudo o que eu sentia está preso as palavras desta carta, que vai cair no esquecimento. Estou escrevendo para que, quando eu escutar uma musica não associar ela a você, ou ficar imaginando o que será que você estar fazendo neste momento… não, isso acaba por aqui, parei de me iludir, mas quero que você seja feliz, com quem quer que for, assim como eu também, preciso ser forte, mesmo que meu peito lateje um pouco por pensar em você junto com outra pessoa, tenho que aceitar, é isso e fim. Estou indo embora e você ficará aqui, estou livre, livre dessa culpa que sentia. Serei feliz, você também será. Sei que me lembrarei de você uma vez ou outra, sei que alguma lembrança passará pela minha cabeça, lembrarei e em vez de sentir dor no coração e chorar, sorrirei. Foi um bom aprendizado pra mim e para você. Quem sabe um dia a gente se encontre por essa vida? E nos cumprimentaremos como velhos conhecidos. Com dor no coração e lágrimas nos olhos, eu encerro esta carta, irei esquecer.. sei que irei. Pois já esqueci.

—Fransiely Karla.